"Tantas coisas que eu queria ter dito, mas acabei não dizendo nada."
indirect:
"E eu vou escrever sobre o que, agora? Sobre como tudo sempre dá errado pra mim e com você também não seria diferente? Que, de novo, “não era pra ser”? Nunca é pra ser? Quando é que vai ser?"
indirect:
"Mas eu também sinto falta de alguém que toque nos meus cabelos, de alguém que sorria pra mim. É pecado, dona mocinha? É pecado querer que alguém goste da gente? Querer que alguém traga leite morno no meio da noite pra gente? Querer conversar com alguém de baixo do mesmo cobertor? Falar sobre a vida, sobre os sonhos."
indirect:
"Escrevo isso e choro. Porque quero tanto e não quero tanto. Porque se acabar morro. Porque se não acabar morro. Porque sempre levo um susto quando te vejo e me pergunto como é que fiquei todos esses anos sem te ver. Porque você me entedia e dai eu desvio o rosto um segundo e já não aguento de saudade. E descubro que não é tédio mas sim cansaço porque amar é uma maratona no sol e sem água. E ainda assim, é a única sombra e água fresca que existe. Mas e se no primeiro passo eu me quebrar inteira? E se eu forçar e acabar pra sempre sem conseguir andar de novo? Eu tenho medo que você seja um caminhão de luz que me esmague e me cegue na frente de todo mundo. Eu tenho medo de ser um saquinho frágil de bolinhas de gude e de você me abrir. E minhas bolhinhas correrem cada uma para um canto do mundo. E entrarem pelas valetas do universo. E eu nunca mais conseguir me juntar do jeito que sou agora. Eu tenho medo de você abrir o espartilho superficial que aperto todos os dias para me manter ereta, firme e irônica. Minha angústia particular que me faz parecer segura. Eu tenho medo de você melhorar minha vida de um jeito que eu nunca mais possa me ajeitar, confortável, em minhas reclamações. Eu tenho medo da minha cabeça rolar, dos meus braços se desprenderem, do meu estômago sair pelos olhos. Eu tenho medo de deixar de ser filha, de deixar de ser amiga, de deixar de ser menina, de deixar de ser estranha, de deixar de ser sozinha, de deixar de ser triste, de deixar de ser cínica. Eu tenho muito medo de deixar de ser."
indirect:
"Eu preciso te dizer tantas coisas, querido. Eu preciso te ganhar, eu preciso despertar em ti o que tu despertas em mim em todos os segundos de meu tempo. Quero me dar te presente a ti, te entregar o meu coração. Não que esse seja grande coisa, mas é o coração que mais pulsa ao ouvir teu nome. Esse coração é o mesmo que quer conhecer o eterno, quer se trancar no relicário da tua vida. E parece dom de anjo, fazer o sorriso abrir assim, só de te olhar. Pareço tão boba, tão patética… Em minhas cartas eu tento te explicar tudo isso. As cartas que não consigo mandar. É que, entenda-me querido, não consigo definir nem quem sou, uma mera mortal egoísta, imagine só definir um sentimento de tamanha grandeza que transborda, que queima e que arrasta…"
indirect:
"Porque você não sabe, mas tenho corrido maratonas e vencido monstros gigantescos para conseguir sentir tudo isso sem arrancar minha cabeça fora."
indirect:
"Você me provoca, você me pertuba. Joga água e sai correndo. Atira a pedra e me acerta de raspão. Me espia no escuro e mostra a língua. Me xinga. Me atiça. Invade o meu sossego. Meu refúgio. Pisa no meu ninho com os sapatos sujos. Na minha toca. Sem saber o meu tamanho, até onde vai meu bote, você me provoca achando que não há perigo. Sem conhecer a força da minha mordida, o tamanho dos caninos. Você me provoca sem esperar a picada. Sem saber que ainda não inventaram antídoto pro meu tipo de veneno."
indirect:
"Talvez não seja você. É talvez esse tempo todo, essas mágoas, esses choros teriam sido em vão. Talvez no meu futuro não exista você nem lembranças suas. Parei pra pensar e me senti uma completa idiota por ficar te esperando depois de tanto tempo, quando você já arrumou sua vida e me deixou pra trás. Não quero mais ficar aqui como seu segundo plano. Cansei de me dar ao trabalho de querer saber da sua vida, quando você não se importa com a minha. Talvez eu tenha sido mais um erro seu, e você mais um erro meu. A gente se combina nos gostos e nas atitudes, você não sabe mais me olhar nos olhos e eu não vou ficar te encarando até que você me encontre. Mas talvez tudo tenha sido tempo perdido, tudo jogado fora, tudo virou lixo empacotado numa caixa cheia de fotos antigas e sentimentos mau lembrados. Talvez não tenha sido você, talvez não seja você."
Aline Pinheiro
"E enquanto eu lia as mensagens antigas no meu celular, encontrei uma sua que dizia “eu te amo, não esquece”. É, e engraçado… Acho que quem esqueceu foi você."
indirect: